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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Quinta-feira, 30.10.14

À ENTRADA

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Sois muitos os que se aproximam desordenadamente, mas eu vejo-vos, ao longe, diferentes, reconheço-vos, porque sois «meus alunos», só vós sois os alunos desta que vos espera à porta da sala e, no ato da vossa entrada, vos olha um a um, saudando-vos, dizendo-vos o nome e, às vezes, mais uma ou outra palavra necessária. Como bem sabeis, tenho este hábito, este ritual de vos receber e cumprimentar, um a um, à entrada de cada aula. Mais uma dessas manias que, de início, vos parecem estranhas. Não sou de vos dar explicações, grandes explicações, nenhumas explicações, das coisas que faço. Nunca vos expliquei porque fazia isto de vos cumprimentar, deste modo, à entrada. E, em verdade, também nunca mo perguntastes. Como se, ao mesmo tempo, fosse estranho mas muito natural. Como se o que fosse estranho fosse o não ser, isto, natural. Talvez seja agora apropriado explicar-vos que não vos explico estas coisas, porque basta que as sintais. E esta é uma maneira de sentirdes que a relação de ensino implica um protocolo de encontro, de saudação, de cumprimento. Um pouco como naqueles jogos desportivos em que os ‘contendores’ se cumprimentam no início e no fim da prova, dando uma certa gravidade ao que ali, entre eles, se passa. Assim, entre nós. Não, como se a aula fosse da ordem do inevitável, do natural, do que tem de ser, do que está determinado que seja. Sim, como se houvesse ali atos de vontade. Como se estivéssemos a cumprir um encontro marcado para tratar de assuntos do nosso interesse.

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por Maria Almira Soares às 13:47



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