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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Sexta-feira, 11.03.16

GARRETT

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   O povo antes queria as óperas do Judeu. — Tinha razão; mas queimaram-lho e o povo deixou queimar.

   Coitado do pobre povo!

   Com o dinheiro que ele suava para as óperas italianas, para castrados, para maestro e maestrinos, podia ter quatro teatros nacionais; e o Garção que lhe fizesse comédias que haviam de ser portuguesas deveras, porque o Garção era português às direitas.

   Tinham-lhe queimado o António José porque diz que não comia toucinho; mataram-lhe o Garção numa enxovia por escrever uma carta em inglês.

   E o povo deixou matar. Por isso ficou sem teatro. Não seja tolo.

   E eram duas calúnias atrozes ambas elas; o António José comia um prato de torresmos como qualquer cristão velho, e o Garção nunca escreveu tal carta em inglês. Com o primeiro foi vingança ignóbil de algum frade fanático; com o segundo foi mais ignóbil vingança ainda, a de um ministro que blasonava de filósofo!

   No reinado seguinte era pecado subirem mulheres à cena. Façam lá Zairas ou Ifigénias para representarem barbatolas!

 

Introdução a Um Auto de Gil Vicente

 

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por Maria Almira Soares às 17:42



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