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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)


Segunda-feira, 17.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       VI

[Continuação.]

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    A Alice, toda entretida com o seu país, não ligou. A mãe ou o pai ou o irmãozinho que fossem abrir. Eles que interrompessem os seus afazeres tão preciosos. E assim foi. O pai da Alice lá largou o jornal. Ouvindo ao longe os ruídos do pai a perguntar Quem é? , a abrir a porta e a falar com a Dona Adília, a porteira, que vinha avisar de que tinham cortado a água, a Alice, em vez de ceder à curiosidade, preferiu dar asas à sua imaginação e é ela, essa menina que continuou a ser sempre muito imaginativa, que nos vai contar o final desta história:

«— Quem é?

— Én o Fanzi.

— Quem?!

— O Fanzi, o amingo da Alince.

— O quê?!

O meu pai completamente assarapantado foi até à sala e disse:

— Diz que é o Fanzi. Vocês conhecem algum Fanzi?

   Nesta altura já os meus ouvidos, alertados pelas vozes que vinham da sala, se tinham posto à escuta e, mesmo através da porta, tinha-me parecido ouvir uma palavra familiar. Teria sido Fanzi? Saltei da cama, abri a porta do quarto e zarpei sala fora em direcção ao intercomunicador.

   — És tu, Fanzi?

   — Soun. Olán, Alince!

   Já eu estava a carregar no botão que fazia abrir a porta, enquanto todos — até o meu irmão conseguira descolar-se do computador — me olhavam atónitos, com os olhos arregalados. A minha mãe, a gaguejar de espanto, começou a dizer:

   — Don-donde é que tu conhe-nhe-ces esse Fanzi?

   Mas já eu abria a porta a um rapazinho risonho e desembaraçado que, depois de sacudir os sapatos no tapete, entrou e começou logo a tirar o casaco com capucho para a chuva que trazia vestido. Tinha uns caracóis escuros que não paravam de se mexer para um lado e para o outro.

   — Ah, apanhaste chuva. E em Fazendaran, estava a chover?

   — Um boncandinho, mans nanda quen se panrença com insto anqui...

   Ali, tirando eu e o Fanzi, ninguém estava a perceber nada daquele chinês, ou antes fazendarês. Nós os dois, porém, alheios à estupefacção dos outros, continuávamos muito sorridentes e contentes por nos termos encontrado.

   — Que bom que me vieste visitar! Estava mesmo a sentir-me sozinha.

   — Olhan, apetenceu-me danr uman voltan e cán estoun.

   Bem, aquilo era demais! Que espécie de trapalhada era aquela?! Onde tinha, eu, arranjado aquele amigo que falava de um modo tão esquisito? — pensava a minha mãe. E, puxando pela manga da minha camisola, abanou-me dizendo-me ao ouvido:

   — Diz-me já imediatamente o que é que se está aqui a passar.

   Então eu caí em mim e voltando-me para os outros disse:

   — Ah, desculpem. Quero vos apresentar o meu amigo de Fazendaran, o Fanzi. Fanzi, estes são o meu pai, a minha mãe e o Luís, o meu irmão.

   — Fazendaran!!! Que é isso? Onde ... fica Fazendaran?

     O Fanzi riu-se mas não se admirou:

   — Én um paíns muinto rencente, não men adminro que não o conhençam.

   — O que é que ele disse?

     — Ah, pois, vocês não sabem falar fazendarês. Não faz mal, eu traduzo. Ele disse que Fazendaran era um país muito recente e que, por isso, não se admirava que não o conhecessem.

     A minha mãe já não podia mais, já não aguentava mais aquela charada e:

     — Alice, Alice, se é para te vingares de não termos querido brincar contigo, já chega. Deixa-te lá de palhaçadas com esse teu amigo.

     — Não, mãe, mas é verdade, o Fanzi vem de um país que eu...

     — Ván lán, não se zanguem com a Alince. Senão eun voun-men ján embonra.

     — Ainda por cima constipado! — disse finalmente o Luís, o irmão da Alice.

     — Constipado!? Ah, ah, ah, o Fanzi não está constipado. No país dele, fala-se assim.

   Bem, a trapalhada tinha chegado a um ponto que os punha todos a olhar uns para os outros sem saberem o que fazer: eu, porque nunca esperara que a minha coisa que desse tão bons resultados; o meu irmão a pensar que um dia destes eu ainda dava em maluca; o meu pai quase a perder a paciência para tentar perceber o que ali se passava; a minha mãe quase, quase, a ter a ideia de fazer de conta, entrar no jogo, fingir que não percebia que aquilo era tudo engendrado por mim e por um colega de escola, para me vingar, e quase a convidar o pequeno para jantar... quando, realmente, se ouviu a voz da minha mãe:

     — Meninos, todos para a mesa!

   Às vezes, a minha mãe incluía-nos a todos, também ao meu pai, quando chamava «Meninos!».

   E repetiu:

   — Todos prà mesa! Hoje o jantar é petiscos.

     Ainda bem. Fazer um país era giro, mas dava muito trabalho. E a verdade é que eu já estava a ficar com fome. Ainda para mais o jantar era petiscos: quando a minha mãe passava a tarde a corrigir trabalhos, depois, cansada e sem tempo para cozinhar, era certo e sabido que «o jantar era petiscos». Era assim que a minha mãe dizia, quando enchia a mesa com coisas saborosas que sempre havia na cozinha. Parecia um piquenique!

   Levantei-me de um pulo e saí do quarto a correr. Mas, quando cheguei à casa de banho para lavar as mãos, vi que estavam todos a barafustar por não haver água. Que maçada! Que maçada! Estavam todos arreliados.

   Todos, não. Eu desatei a rir enquanto, toda arrepiada, me imaginava a meter os meus pés, felizes, nas ondas pequeninas e frescas do mar azul de Fazendaran!»

FIM

 

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por Maria Almira Soares às 16:25

Sábado, 15.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       V

[Continuação.]

 

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     Pôs-se a pensar. Achar um nome era muito mais difícil do que todas as outras coisas que já tinha feito. Pensou, pensou, pensou e, às tantas, parou de pensar e, em vez disso, resolveu deixar correr livremente as palavras ou bocados de palavras ou sílabas ou sons que lhe vinham à cabeça.

     — Quando for a passar uma palavra gira, pimba, atiro-me a ela e agarro-a.

     E, lembrando-se do Rex, começou:

     … au…au…au…autoestrada…estrelada…ovo estrelado…

     — Ovo estrelado! E se o meu país se chamasse Ovo Estrelado?! Ah! Ah! Ah! Que piada! Punham-se logo todos a inventar anedotas e até podia aparecer um gigante esfomeado e comê-lo. Por engano. Não, não, é impossível um país chamar-se Ovo Estrelado. E os habitantes?! Coitados! Ovoestreladenses!!! Só se se dissesse muito devagarinho. Senão, era um desastre.

       Continuou a brincar com as palavras e, às tantas, lembrou-se de uma história de quando ela era muito pequenina que a mãe, às vezes, contava. Ela não se lembrava, mas a mãe contava que, quando a Alice começou a falar, se tornou uma tagarela e uma vez tinha passado uma tarde inteirinha a dizer e a gritar e a cantarolar pela casa toda uma palavra que tinha ouvido: — Fazenda! Fazenda! Fazenda! Fazenda! E que todos se riram, porque ela não fazia a mínima ideia do que andava a dizer, mas achou-lhe graça e, nesse dia, ninguém mais a calou. Ficou sempre a gostar daquela palavra, por causa desta história…

     — Fazenda…fazenda…fazenda… fazendarim... fazendarum... fazendaran! O meu país vai-se chamar Fazendaran. Também não é assim muito mais esquisito do que Suriname, por exemplo.

       A Alice gostava muito de dizer por exemplo. Ela sabia os nomes dos países, até os mais difíceis. Nos jogos com nomes de países ou de habitantes, ninguém a batia.

       — Ah! Assim, sim. Assim, com nome, é que isto já me parece mais um país. Até já posso dizer: — Quando eu for a Fazendaran… E os habitantes? Os habitantes têm de ser fazendaranenses. Ui! É quase pior do que ovoestreladenses. Coitados! Paciência. Não tivessem nascido em Fazendaran. E olha os suazilandenses e os azerbaijanenses! Também não são mais fáceis de dizer. Agora já posso falar do meu país e contar coisas que lá se passaram. Por exemplo: «Em Fazendaran, vai ser construída a biblioteca mais bonita do mundo.» Ou ouvir falar de Fazendaran na televisão: «Chega hoje a Fazendaran o famoso pintor Picasso. (A Alice gostava de saber nomes de pintores e músicos e escritores, etc. etc., mas nem sempre tinha a certeza de quando é que eles tinham vivido.)

   De repente, sobressaltou-se:

     — E se os outros países todos que já existem não se quiserem encolher um bocadinho para o meu país ainda caber no mundo? Também, se não quiserem, não faz mal. Se não quiserem, pronto, faço uma ilha. O mar é tão grande! Ainda tem espaço para tantas ilhas! Ah! É verdade, outra coisa: tenho de ter lá um amigo. Pelo menos um. Para trocarmos mensagens. E para eu ir lá visitá-lo.

   E foi quando já estava a fazer o seu amigo fazendaranense e a pensar nas mensagens que haveriam de trocar que a Alice voltou a sentir que ainda faltava uma outra coisa importantíssima. Bateu com a mão na cabeça e disse:

     — Ah, que parva, então não me ia esquecendo da língua?! Onde é que já se viu um país sem ter uma língua. A língua… a língua… a língua é o fazendarês. Em Fazendaran fala-se fazendarês que, aliás, (a Alice também gostava muito de dizer aliás) é uma língua muito parecida com o português. Que é para eu e o Fanzi podermos falar um com o outro. O português e o fazendarês são parecidos, mas não são iguais. Por exemplo, nós dizemos batatas fritas e eles dizem bantantas frintas. É assim uma língua fanhosa como se estivessem todos constipados, ah! ah! ah!

     E a marota da Alice, divertidíssima com a língua dos fazendarenses, dava grandes gargalhadas. Ainda se estava a rir quando se lembrou de que o seu país havia de ser famoso por ter alguma coisa que não houvesse em mais país nenhum. Pensou, pensou, pensou… mas tudo em que conseguia pensar eram coisas que já existiam. Como é que ela havia de descobrir uma coisa que fosse difícil mas não impossível? E que tornasse o seu país verdadeiramente importante? Pensava em monumentos muito grandiosos, em montanhas muito altas… Mas não, isso já havia. Tinha de ser outra coisa.

     — Ah, pois! Já sei.

     Uma vez, há uns tempos, a Alice tinha perguntado ao pai se era possível haver alguém com cento e cinquenta anos. E o pai respondera: — É difícil mas não é impossível.

     — Já está. Em Fazendaran há uma pessoa com cento e cinquenta anos. Boa! E depois… e depois, até os cientistas lá vão para descobrir porque é que essa pessoa dura tanto. E ninguém conseguirá descobrir porquê, mas toda a gente vai saber que Fazendaran é o único país no mundo onde há uma pessoa com cento e cinquenta anos. E eu, quando for grande, quero ser cientista, para lá ir estudar o senhor Fanzão. E eu é que vou descobrir. E depois vou fazer com que todos, o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, os meus amigos, durem muitos, muitos, muitos anos…

   Ora foi precisamente no momento, em que a Alice estava toda contente a sonhar com que todos iriam durar muitos, muitos anos, que se ouviu nitidamente o toque da campainha da porta.

[Continua.]

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por Maria Almira Soares às 13:28

Quinta-feira, 13.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

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Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       IV

[Continuação.]

   Pois é, nesse dia ela ficara tão zangada que só uma coisa em grande, como um país, a poderia curar de tamanha arrelia. Além disso, a Alice gostava muito de países. De saber e dizer os nomes dos países. Os seus favoritos eram: Austrália, China, Camarões e Peru. Eram estes os nomes de países que ela mais gostava de dizer. Arranjava sempre maneira de os meter nas conversas. É que a Alice, além de brincar, também gostava muito de conversar e de arranjar palavras novas para meter nas suas conversas. Às vezes, quando não conseguia que brincassem com ela, ainda tentava que, pelo menos, conversassem… Mas, nesse dia, nada. Nem uma coisa nem outra.

   — Vou fazer um país!

   A primeira coisa em que se lembrou de pensar foi no lugar onde ia ser o seu país. Tinha de ser um lugar com neve, como numa história que ela tinha lido e em que as árvores e os caminhos e os telhados das casas estavam todos cobertinhos de neve. Enquanto a Alice pensava numa terra cheia de neve fofinha e branquinha, começou a perceber que o seu país tinha de ter uma forma, um desenho. E qual?

— Que giro se fosse redondinho como uma bola! Mas não, ninguém acreditará que haja um país redondinho. Não é costume. Pois, se não pode ser redondinho, vai ser… vai ser… como o focinho do Rex. (O Rex era o cão do Luís, o seu amigo predilecto.) Assim mais ou menos como um triângulo mal desenhado.

   Depois de ter decidido como é que ia ser o desenho do seu país, a Alice começou a fazer as estradas que iriam ligar as terras umas às outras. Começava uma, mas depois distraía-se e já nem sabia bem onde ia. Estava a ficar meio perdida. E, com tantas curvas, apesar de estar ali deitadinha na sua cama, até parecia que já estava a começar a ficar enjoada. E o país, com tanto risco a atravessá-lo, começava a ficar parecido com um novelo de lã! Então, a Alice, para se desembaraçar de toda aquela embrulhada, resolveu que o país ia ser pequenino, ter poucas terras e, por isso, poucas estradas.

   — Só vai ter três cidades. E quantos habitantes vai ter o meu país? Um milhão!

   A Alice gostava muito de dizer: um milhão.

   — Gosto tanto de dizer um milhão! — pensou a Alice.

   Ela sabia que nunca conseguiria fazer um milhão de pessoas e, por isso, pensou logo que a maior parte — para aí novecentas e noventa e nove mil novecentas e noventa — iria ficar dentro das casas e das escolas e dos cinemas e das bibliotecas… e, cá de fora, não se viam.

   — Pois.

   Não estava descontente com o que já conseguira fazer, mas sabia que o seu país ainda estava muito incompleto. Então, começou a passar em revista o que já tinha e o que ainda lhe faltava.

   — Já tenho o sítio, o feitio e os habitantes, mas ainda faltam os campos de futebol e as lojas e as fábricas e... Parece que me estou a esquecer de uma coisa muito importante, mas não consigo descobrir o que é. Como quando tenho uma palavra debaixo da língua e não sou capaz de me lembrar dela.

   Impaciente, a Alice passou adiante e pôs-se a fazer a praia. Aquele país tinha mesmo de ter praia. Ela gostava tanto de ir à praia! Mas, para isso, afinal sempre tinha de fazer um bocadinho de mar! Nem que fosse só um bocadinho...

   — Paciência, as petuniazinhas vão ter de se sacrificar um bocadinho, de passar um bocadinho de sede.

   Enquanto ia aperfeiçoando a praia do seu país com areia muito fina e branquinha, ondas pequeninas e azuis, o céu sempre sem nuvens e o sol sempre quentinho, a Alice continuava a sentir que havia qualquer coisa importante de que se estava a esquecer... Mesmo depois de meia dúzia de dentadas no lápis que rolava entre os dedos, ela ainda não conseguira descobrir que coisa era essa de que não se conseguia lembrar. Por isso, resolveu ir fazer uma floresta. E fez. Não muito longe do mar, a floresta da Alice acabava numa fileira de dunas, altas e fofas onde era maravilhoso rebolar. Como na praia ao pé da terra da sua avó. As árvores, de longe, pareciam nuvens verdes que se enrolavam umas nas outras, a perder de vista, e só acabavam lá ao fundo, no céu. Eram pinheiros mansos de copas redondas que pareciam muito macias. Era tão bonito, tão bonito, que não podia faltar no seu país! E os pássaros?

   — Vou pô-los aos saltinhos e, de repente, a voar, assustados com o barulho dos nossos passos.  

   Depois, a Alice ficou um bocadinho parada. Não porque estivesse cansada. Mas por se ter demorado algum tempo a sonhar com as lembranças das viagens à terra da sua avó. E lembrou-se doutros animais com que travara conhecimento lá na aldeia. Gostara sobretudo de um cavalinho que costumava andar a pastar ao pé do caminho por onde o avô a levava a passear. Ficava a vê-lo ondear as crinas como se fossem algas, enquanto corria para longe à procura da erva mais fresquinha. A Alice era bem capaz de ficar para ali a sonhar com as suas doces recordações, mas havia um país para acabar de fazer e ela, subitamente e sem saber donde lhe vinha tal ideia, deu por si a pensar que, no seu país, era absolutamente necessário que houvesse um teatro. Talvez tivessem sido as cores e a beleza do campo que lhe fizeram lembrar a bela recordação daquela vez em que a mãe a levara ao teatro:

— Vai ter um teatro cheio de luzes e de cores como aquele onde eu vi A Gata Borralheira!

   Ficara deslumbrada, de olhos e ouvidos muito abertos, enquanto no palco se arranjava maneira de transformar uma abóbora numa bela carruagem! Esta era uma recordação inesquecível. Gostara tanto! E a Alice estava contente por se ter lembrado de pôr um teatro no seu país.

      — Pronto. Já está. O que eu não sei é como é que o meu país se vai chamar… Ah! É isso que me estava a esquecer! O meu país tem de ter um nome! Senão, como é que eu vou chamar aos seus habitantes?

[Continua.]

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por Maria Almira Soares às 13:19

Quarta-feira, 12.02.20

A LEITURA

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     A relação entre uma pessoa e uma história, um poema, um drama, escritos num livro é uma intromissão solitária, silenciosa. Pode, depois, ser transformada para outros usos, mas, no seu primeiro nível de experimentação, é coisa íntima, jubilosa ou destrutiva, e — durante o intervalo entre a conclusão da leitura e o surgimento da disposição e oportunidade para a abrir aos outros — secreta. Íntima e secreta, só como consequência deste intimismo e fechamento a leitura se pode tornar social, contextual.

   Expor, descrever, debater, organizar, edificar o tema da leitura, depreciando o facto de ela se cumprir a despeito da relação com o mundo, de ela criar os seus mundos, de ela suspender o exercício de interacções circunstanciais, é irreflectida hipocrisia. A este propósito, lembro a diferente posição de Vergílio Ferreira que, enquanto homem de leituras complexas, declarava o seu gozo íntimo, o frémito amoroso que continuava a sentir na leitura de velhos e corriqueiros textos de selecta escolar, em polar ruptura com a declinação dos tempos que então passavam e desqualificavam tais textos. Vergílio Ferreira sabia do carácter íntimo e secreto do primeiro nível das nossas leituras. Tratar a leitura como coisa tão-só de actualidade, coisa «toda vã, toda mudável», emergente e precária é um erro, porque o núcleo volitivo mais substancial de se ser leitor de um dado livro, o elo mais sólido que prende um leitor a um livro não depende necessariamente de mudanças circunstanciais. O peso da circunscrição contextual, da prescrição epocal, na escolha efectiva de um livro por parte de um leitor, é sempre inferior ao peso da sua determinação pessoal. A leitura genuína é coisa livre senão do desejo e do instinto deliberados pelo leitor segundo categorias próprias. Pretender configurá-la sob sujeição completa à época e suas mudáveis características e finalidades é desfigurá-la, enredando o leitor em indecisões, enganos, falsas personae de leitor, passos perdidos, precariedade.

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por Maria Almira Soares às 17:45

Terça-feira, 11.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       III

[Continuação.]

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   — Vou fazer um rio…

   Estão a ver? Eu bem vos avisei! A Alice, quando a enxotavam, ficava capaz de tudo, até de fazer um rio.

     — Um rio, não. Onde é que eu ia arranjar a água toda para fazer um rio? Só se a tirasse dos canos… E, depois, como é que eu tomava banho? E como é que a minha mãe fazia a sopa? E regava as petúnias?

     A sopa ainda era o menos, mas as petúnias… A Alice adorava as petúnias que já tinham florescido nos vasos da varanda. E também gostava muito de dizer: petúnias. Ficou um bocadinho a dizer: petúnias, petúnias, petúnias… E, depois…Desistiu do rio.

     — Vou mas é fazer um mar. Um mar?! Sou mesmo parva. Um mar ainda leva mais água. E o sal?! E tinha de estar sempre a soprar e a mexer e a remexer pra fazer as ondas! Ufa! Um mar, não.

   — Se calhar, o que eu vou fazer é, mas é, um vulcão. Era bem bonito, um vulcão! Mas… e se eu não consigo fugir a tempo, quando ele começar a expelir a lava? Ih! Que medo! O melhor, o melhor, é fazer um iceberg. Um iceberg? Só se fosse um pequenino, para caber no frigorífico. Senão derretia-se logo... Um campo verdinho, cheiinho de malmequeres amarelos é que era… Mas… Que trabalheira, espetar os malmequeres todos na terra! E, depois, até parece que já não tenho muito amarelo…

     Às vezes, a Alice, depois de as fazer, ou enquanto as fazia, desenhava e pintava as suas «coisas que».

 

   — Olha, boa, vou fazer um dia de chuva. Que estupidez! Um dia de chuva e, depois, nesse dia, não posso ir jogar à bola no parque. Só se fosse para a chuva cair de repente em cima da cabeça dos meus amigos, quando eles andassem às correrias no jardim. Pregar-lhes uma partida. Ficarem todos encharcados, a pingar. Ih! Ih! Ih! E eu, escondida atrás de uma árvore, a ver a minha chuva a cair-lhes em cima! Mas… ontem parti a régua… Como é que eu vou fazer os tracinhos direitinhos da chuva a cair?

     A Alice já estava a ficar muito mais feliz, depois de ver que podia fazer tantas coisas que, quando se lembrou de…

     — Vou, é, fazer um país!

[Continua.]

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por Maria Almira Soares às 17:52

Domingo, 09.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       II

[Continuação.]

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       Era domingo. Lá fora estava vento e frio. E o céu estava a começar a ficar tão escuro que, embora ainda fosse de tarde, já tinham acendido a luz dentro de casa. Dos amigos, nem rasto. Parecia que se tinham evaporado. Da janela, não se via ninguém a passar na rua. Só os passaritos fugiam espavoridos de árvore em árvore. A Alice afastou-se da janela com passinhos levezinhos, pôs-se a olhar à sua volta e resolveu atacar. Podia ser que conseguisse convencer algum dos três a ir brincar com ela. Na sala, toda a gente — a mãe, o pai, o irmão — estava ocupadíssima a fazer qualquer coisa muito importante. O pai a ler o jornal, o irmão colado ao computador e a mãe a corrigir trabalhos dos seus alunos. Parecia que nem a viam, nem a ouviam, cada um metido com os seus afazeres. O último a dizer-lhe que não, que estivesse calada e quieta, foi o irmão e, aí, a Alice, já muito arreliada, respondeu: — Vais ver! Vou fazer uma coisa que…! Esta era a maldição que a Alice costumava lançar quando ficava furiosa por não perceberem a importância do que ela queria fazer. Como se fosse uma vingança, uma ameaça. A Alice, para além de alegre e comunicativa, era também um bocadinho marota. Nessas alturas, os outros pensavam que ela ia ficar amuada, mas não. Ela ia mesmo fazer «coisas que…!» Por isso, correu para o quarto e atirou-se para cima da cama a remoer: — Ah, não querem brincar comigo, não? Vão ver! Vou fazer uma coisa que…! Só de pensar em fazer uma «coisa que», ficava logo com muito mais força para resistir àquele desinteresse geral. A Alice, quando se enervava por não lhe darem a atenção a que achava que tinha direito, era como se perdesse o juízo. Não que se pusesse a fazer asneiras, a partir coisas, a pular para cima das mesas ou assim, não… Ela ficava destravada mas era por dentro da sua cabeça. Batia o pé e, depois de vociferar sempre a mesma ameaça: — Vais ver!, desandava para um canto, onde, sozinha, se permitia imaginar tudo e mais alguma coisa. Até chegava a ficar corada com toda aquela energia que a fazia inventar coisas. Coisas só dela! Que ela, pois claro, também tinha coisas, também ela tinha o seu mundo. Que é que pensavam?! O irmãozinho que ficasse lá com o seu computadorzinho, que não a deixasse espreitar para o que estava a fazer, que não a deixasse mexer no rato, que era tão engraçado! Pois também ele não veria o que ela ia fazer!

   Mas que havia a Alice de fazer, ali, estendida na cama a olhar para o tecto?

[Continua.]

 

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por Maria Almira Soares às 14:35

Sexta-feira, 07.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

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Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       I

   Alice era uma menina muito alegre, comunicativa e desembaraçada. Vivia numa grande cidade e a sua casa, como muitas outras, fazia parte de um grande edifício onde moravam muitos outros meninos. Entre eles, tinha bons amigos com os quais gostava muito de brincar. Na escola, no jardim do seu bairro ou mesmo em casa, a Alice aproveitava bem o tempo em brincadeiras que a deixavam muito feliz. Geralmente tudo corria bem: todos gostavam de brincar com ela. No entanto, também havia dias de azar. Dias daqueles em que parecia que tudo se virava contra a sua grande vontade de jogar à bola ou às adivinhas. Ou, até, a um outro jogo que se chamava «bom barqueiro» e que fora a avó que lhe ensinara. E sabem porquê? Porque era domingo e, como não havia escola, parecia que todos os pais tinham resolvido ir passear com os filhos para fora da cidade. Ou, então, porque era inverno e, de repente, parecia que todos tinham resolvido ficar constipados. Em dias como esses, a Alice, que não estava constipada nem tinha sido levada pelos pais a passear, ficava um pouco triste por não ter com quem brincar, mas, embora um pouco triste, não desistia. Resolvia tentar a sorte com o que tinha mais à mão. E quem é que a Alice tinha mais à mão? Ora, eram o pai, a mãe e o irmão mais velho seis anos do que ela. Punha-se a andar de volta deles a pedinchar-lhes para virem brincar ou para a deixarem ver e mexer no que estavam a fazer. Às vezes conseguia. Às vezes a Alice conseguia pôr o pai a brincar às escondidas. Ou a mãe a responder a adivinhas que tinha aprendido na escola. Já o irmão, sempre com o nariz metido no computador, era mais difícil de conquistar. Mas, outras vezes, tudo corria mal e, depois de ela andar e andar de volta deles naquela cegarrega: «— Anda brincar comigo!», perdiam a cabeça e até chegavam a alterar a voz para a mandarem sair dali. Sobretudo quando o irmão, sem sequer olhar para ela, lhe respondia « — Vai brincar sozinha.», a Alice ficava furiosa. Para ela, brincar era brincar com alguém. De preferência com os seus amigos. Pois foi precisamente num dia desses em que a Alice estava a começar a ficar triste por não ter com quem brincar que tudo aconteceu.

[Continua]

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por Maria Almira Soares às 13:42

Sexta-feira, 17.01.20

O AMOR EM TEMPOS DE CAOS?

Julio Cortázar, Rayuela

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     «Rayuela», o jogo da macaca, uma persistente e repetida procura da última casa que, as mais das vezes, ou sempre, falhamos. Um jogo. Ganhamos? Perdemos? Nunca chegamos a ganhar definitivamente. Nem a perder. A vida. Movimento. Insegurança. Saltos de lugar em lugar, de situação em situação, de pessoa em pessoa. Indo em frente, voltando atrás, recomeçando. Rayuela, jogo, essência mas também forma. Explicitada na criação de uma referência metaliterária: Morelli. Morelli e os seus escritos trazidos para o plano da narrativa/escrita, um alter-ego literário de Cortázar a respaldar as suas opções no que à montagem da história diz respeito. Morelli, o defensor do aleatório, ele também ficcionalmente fruto do mais puro acaso, antagonista do que chama «romance crepe-chinês» ‘comestível’ de uma ponta até à outra. Esta literária ousadia morelliana, mas também aquele exorbitante atrevimento da condução da leitura cortazariano. E ainda outras extravagâncias discursivas e distorções linguísticas: a invenção do glíglico, o dialeto dos amantes; a alternância gráfica, linha sim/ linha não, de duas fontes e continuidades discursivas no mesmo texto; o h inicial a acrescentar às palavras o modo psicológico da sua articulação; a construção de sentido através do halo referencial projetado de citações e ecos culturais; a dinâmica sempre dialética, às vezes quântica, das sequências — Tudo, na forma e na essência, é rayuela, jogo.

   Rejeitados linhas e invólucros ordenadores, todo o recheio do inexistente crepe se derrama, se fragmenta, e, no entanto, não deixa de ser recontável, referível: um grupo de jovens amigos, artistas, intelectuais, ociosos, em Paris, anos 50 do século XX: Etienne, Gregorovius, Maga, Horacio, Ronald, Babs, Perico, Wong, Guy. Várias nacionalidades, vários desenraizamentos, várias carências, várias procuras. Amizade. Amor. Traição. Egoísmo. Leviandade. Cobardia. Humanidade. Encontros e desencontros. E ainda, no banho parisiense em que se movem, Berthe Trépat, clochards, Pola. Uma teia. Fios que se vão segregando, enredando, sob o olhar dominante, explícito ou subterrâneo, do argentino Horacio Oliveira que, com Maga, a uruguaia, e o bebé Rocamadour, expoente supremo deste caos, geram um eixo irradiador da relação feminino/masculino, do amor, da morte, do afastamento, do sofrimento, das afinidades, das indiferenças, das contradições, das obsessões, da separação, da partida.

   Um romance de personagens, na sua dimensão humana, intelectual, artística, sociológica, psicológica. Um portento na construção de personagens, talvez o seu ponto mais forte, este romance. Com grandes e pequenas pinceladas, do corpo-inteiro aos pormenores mínimos significativos. Só pela personagem de Maga, vale a pena a sua leitura. É um pedaço de vida, uma viva fatia de uma era cultural. Personagens que são indivíduos, que são terreno relacional, que são coletivo sob a figura do Clube da Serpente; que se organizam em dinâmicas de alternância, de ziguezague, em saltos quânticos, em simultaneidades. E Paris. Uma certa Paris é também a grande personagem. A sua geografia humana. Um certo imaginário parisiense gizado e vivido no olhar do exilado intelectual e artístico. As ruas, os encontros improváveis. Uma Paris velha, gasta, vivida, suja, pobre, decadente, caldeirão de procuras, cenário de trágicos desenraizamentos, a luz sombria, o sofrimento, uma baudelairiana flor do mal, a desordem, o álcool, a raia da loucura, as vidas vividas no fio da navalha, sem filtros nem defesas, boiando num realismo mágico citadino.

   Não só no fundo, também na letra do romance, as personagens emergem, vivíssimas, num aparentemente desarticulado conjunto de intromissões reflexivas-teoréticas-filosóficas, numa colagem de fragmentos-citações, uma varia semeada, quiçá, ao acaso (e não é o acaso rayuelianamente significativo?).

   Tem, este caos, já não digo um desenlace, mas uma finalidade, uma tendência? Tende, sim, tende para o fim, para a partida, para o abandono, para um regresso chamado Buenos Aires que carrega consigo outros fins, o de Maga talvez. O trágico tende para o burlesco, para a loucura: o circo, o manicómio, a transferência alucinatória do real para o fantasmagórico, com novas personagens: Talita, Manolo (Manu) Traveler, Gekrepten...

   E o fim? O fim mesmo?

   «Pof!»

   Ou:

«Hum-hum (Que tal monges beniditinos?)»

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por Maria Almira Soares às 17:14

Terça-feira, 07.01.20

PARVOÍCES

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 Há palavras que vivem descansadas nos vocabulários das línguas sem que quase se dê por elas, que são usadas sem causar qualquer alarme, são quase invisíveis e de repente… De repente surge uma conjuntura, um facto, uma circunstância de uso que lhes dá visibilidade e relevo, que as faz andar de boca em boca. Recentemente aconteceu com a palavra parvo, a propósito de Parva que sou, canção dos Deolinda. Curiosamente a circunstância fez com que fosse no feminino: parva. E o que também é curioso é que a palavra parvo até tem uma história semântica engraçada. Começou por significar, em latim, pequeno, isto é, de tamanho diminuto, insignificante, com pouco valor e importância. Daí que, como um tolo é uma pessoa com pouco bom senso, começou a chamar-se parvo, não a quem era pequeno em altura, mas pequeno de juízo, a quem tinha pouco juízo, o tolo. Parvo começou por se aplicar ao que era pequeno em geral, mas depois o seu sentido especializou-se para quem é pequeno de juízo, quem tem pouco juízo ou faz coisas pouco ajuizadas. Em latim, os baixos eram parvos; hoje em dia, pode-se ser parvo, mesmo sendo grande em altura. E com esta mudança, como é evidente, a palavra reforçou a sua hipotética conotação negativa. A palavra parvo tem uma grande fortuna em expressões idiomáticas. Há uma quantidade de ditos e expressões em torno dela: fazer figura de parvo; armar-se em parvo; fazer dos outros parvos; fazer cara de parvo;comer por parvo; chuva molha-parvos; chama-lhe parvo!; a minha alma está parva… Já para não falar na parvalheira, termo usado para uma terra com pouca gente e poucos motivos de atracção. Com Gil Vicente, o parvo ganhou estatuto de personagem. Os parvos vicentinos são figuras que nos fazem rir por serem tolos, desacertados do bom senso nos seus comportamentos, nos seus gestos, no seu uso da linguagem, mas, simultaneamente, vão dizendo verdades com um despudorado sentido crítico. Produzem sentenças inopinadas mas plenas de realismo. A sua loucura liberta-os das baias do que diríamos hoje politicamente correto.  O Parvo vicentino é um herdeiro do sot, das sotties medievais que, com as suas tolices e parvoíces faz rir. Mas é também, simultaneamente, devedor do Elogio da Loucura de Erasmo, quando representa aquela inocência, aquela inimputabilidade para dizer tudo que a loucura permite. Representa a ideia de que só sendo louco, sem-razão, sem-juízo, se pode ser inocente, puro, num mundo em que tudo está contaminado por segundas intenções. O teatro vicentino é talvez o lugar de referência mais conhecido para esta figura do Parvo, mas há outro lugar interessante: o dos contos tradicionais onde encontramos a conhecida história do João Parvo. «Era uma vez uma mulher que tinha um filho que se chamava João. Mas ele era, coitadito, meio parvo…» Curiosamente também o parvo vicentino se chamava Joane. João é um nome vocacionado para generalizações, tipificações. Este parvo do conto tradicional revela a sua parvoíce, enquanto incapacidade de reconhecer situações novas e de saber transferir conhecimento adquirido, adequando-o com eficácia a uma situação diferente. Não para de persistir no mesmo erro. É um infeliz sempre a ser ultrapassado por uma circunstância diferente que ele não tem capacidade de ler. Atravessa a vida sem malícia, mas aos ingénuos, aos parvos, ninguém dá presentes. Este João Parvo é, por assim dizer, ainda mais parvo do que os parvos vicentinos, porque não tira absolutamente nenhum trunfo da sua parvoíce nem surte nenhum efeito perante os outros senão o do riso. É a vítima total de si mesmo. Digamos que o vicentino é o parvo espertalhão que escapa do inferno driblando o diabo, enquanto este é o parvo patético que, de todos, apanha tareia. Como muitas vezes acontece com os contos tradicionais representa um tópico universal que tanto se encontra em Portugal como na longínqua Rússia, por exemplo, na figura de Babine do texto do escritor russo Leon Tolstoi,que se inspirou numa antiga história russa. Seja como for, há um traço semântico comum a todos estes parvos: ser parvo é estar ou pôr-se fora do jogo, não fazer parte. O parvo faz, da sua desqualificação atribuída a outrem, o argumento contra quem o injustiça, vitimizando-se. Ser parvo é o argumento do parvo.

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por Maria Almira Soares às 16:56

Domingo, 05.01.20

QUE LISTA É ESTA? Os livros que a LERDOCELER já leu.


  1. A Balada da Praia dos Cães de José Cardoso Pires

  2. A Cidade de Ulisses de Teolinda Gersão

  3. A Hora da Estrela de Clarice Lispector

  4. A Língua Posta a Salvo de Elias Canetti

  5. As Intermitências da Morte de José Saramago

  6. As Velas Ardem até ao Fim de Sandor Marai

  7. As Vinhas da Ira de John Steinbeck

  8. Astronomia de Mário Cláudio

  9. Austerlitz de W.G. sebald

  10. Conversa na Catedral de Mario Vargas Llosa

  11. Danúbio de Claudio Magris

  12. Deixem passar o homem invisível de Rui Cardoso Martins

  13. Descascando a Cebola de Günter Grass

  14. Errata de George Steiner

  15. Gente Feliz com Lágrimas de João de Melo

  16. Levantado do Chão de José Saramago

  17. Lolita de Vladimir Nabokov

  18. Luz Antiga de John Banville

  19. Meio Sol Amarelo de Chimamanda Ngozi Adichie

  20. Mrs. Dalloway de Virginia Woolf

  21. Myra de Maria Velho da Costa

  22. Natália de Helder Macedo

  23. Némesis de Philip Roth

  24. Neve de Orhan Pamuk

  25. No Castelo do Barba Azul de George Steiner

  26. Num País Livre de V. S. Naipaul

  27. O Caçador de Tesouros de Le Clezio

  28. O Cemitério de Pianos de José luís Peixoto

  29. O Cemitério de Praga de Umberto Eco

  30. O Coração das Trevas de Joseph Conrad

  31. O Delfim de José Cardoso Pires

  32. O Esplendor de Portugal de António Lobo Antunes

  33. O Falcão de Malta de Dashiell Hammett

  34. O Fim do Homem Soviético de Svetlana Alexsevitch

  35. O Grande Gatsby de Scott Fitzgerald

  36. O Homem em Queda de Don DeLillo

  37. O Jovem Törless de Robert Musil

  38. O Leopardo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

  39. O Livreiro de Cabul de Asne Seierstad

  40. O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa-Bernardo Soares

  41. O Mundo de Ontem de Stefan Zweig

  42. O Nosso Agente em Havana de Graham Greene

  43. O Retorno de Dulce Maria Cardoso

  44. O Sentido do Fim de Julian Barnes

  45. O Sonho do Celta de Mario Vargas Llosa

  46. O Sonho Mais Doce de Doris Lessing

  47. O Talentoso Mr. Ripley de Patricia Highsmith

  48. O Túnel dos Pombos de John le Carré

  49. O Velho que lia Romances de Amor, Luís Sepúlveda

  50. O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa

  51. Os Teclados de Teolinda Gersão

  52. Outrora Agora de Augusto Abelaira

  53. Partes de África de Helder Macedo

  54. Poemas de Luís Quintais

  55. Por Ti de Ian McEwan

  56. Portugal Amordaçado de Mário Soares

  57. Portugal, Hoje – O medo de Existir de José Gil

  58. Se Isto é um Homem de Primo Levi

  59. Se Numa Tarde de Inverno um Viajante de Italo Calvino

  60. Sinais de Fogo de Jorge de Sena

  61. Sôbolos rios que vão de António Lobo Antunes

  62. Trilogia de Nova Iorque de Paul Auster

  63. Um traidor dos nossos de John Le Carré

  64. Uma História de Amor e Trevas de Amos Oz 

  65. Uma Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares

  66. Viagem a Portugal de José Saramago

  67. Viagem ao Fim da Noite de Louis-Ferdinand Céline

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por Maria Almira Soares às 16:31


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