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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Quinta-feira, 20.03.14

LEMBRANDO LEITURAS...

 

 

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por Maria Almira Soares às 15:52

Quinta-feira, 20.03.14

LEMBRANDO LEITURAS...

O IMPOSSÍVEL REGRESSO

 

 

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por Maria Almira Soares às 15:47

Quarta-feira, 19.03.14

O EXCESSO DA ARTE NUM PROFESSOR POR DEFEITO

 

 

[...] um Vergílio Ferreira que não se considera vocacionado para a profissão, mas que não se considera, por isso, impedido do exercício profissional competente; a dualidade paradoxal (abissalmente discordante do senso comum nesta matéria) de que a vocação é um obstáculo no caminho da competência profissional do professor: «Fez bem que não seguiu a sua vocação. Eu também a não segui. E no entanto sentia que os seus alunos não podiam passar sem ele.» Nesta afirmação reside uma das entradas-chave para coerentemente equacionar um sentido para as afirmações/negações vergilianas acerca do seu ser-professor.

«Mas sem padrinhos também não ia arriscar-me a uma profissão livre.» Esta afirmação convoca a questão da necessidade existencial de uma figura paternal falhada, cuja frustração mais profunda e mais traumática foi a ocorrida em ambiente de radicalidade escolar, o do seminário e, daí, a associação da falha à necessidade e à conveniência de profissionalmente permanecer ao abrigo do tecto real e simbólico da Escola. Este paradoxo, que junta padrinhos e liberdade, que coessencializa liberdade e pai (padrinho é um pai suplente), reforça a legitimidade da convicção de que, no cerne da sua escolha profissional, mais do que condições contextuais, incluindo as socioeconómicas, estão as condições existenciais dessa incapacidade de viver sem o limite de um padrão que lhe seja prévio. De não arriscar totalmente e só em si. Trata-se de segurança existencial alterada, iludida pelo efeito apagador da proximidade da questão material. Pai, apagado em padrão, apagado em padrinho, que os três participam do mesmo gene verbal e, bem assim, semântico e, bem assim, existencial. Sem pai, acolhe-se numa profissão padronizada que será a sua forma de ter alguma espécie de padrinho, de cumprir o seu inelutável e confesso «anilhamento» existencial que, simultaneamente, a sua arte de escritor rompe e a sua profissão de professor garante. Abriram-lhe, na alma, um lugar para o que não era para ser, escolarizando-lha. Razão mais funda do que a vocacional. Professor, não por tendência natural ou jeito pessoal, mas por virtude criativa das voltas complexas da sua modelação existencial. E, afinal, razão mais produtiva, porque lhe permite ser o fictor, o escultor, da sua figura de professor, colocando o problema (crucial na identidade docente vergiliana) da distância entre a persona profissional e a pessoa e patenteando ainda a verdade fundamental de Vergílio Ferreira se ter tornado professor como personagem de si mesmo, como quem se escreve em vida, em espécie. [...]

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por Maria Almira Soares às 23:15

Segunda-feira, 17.03.14

JOÃO E O POEMA

 [...]

Não sei se é verdade, mas acho que os livros, quando passam assim muito tempo quietinhos nas estantes, começam a ter ideias fantasiosas. Até acredito que, uma noite, quando estava tudo às escuras na casa velha, um deles se pôs a pensar assim: – Estou eu aqui, tão perto deste aqui ao lado, e nunca falámos! Afinal, para que tenho eu dentro de mim a palavra «Olá!»? E ele? Para que tem ele a frase «Gostei de falar contigo.»? Se eu nunca lhe disse «Olá!»… E ele nunca me disse «Gostei de falar contigo.»… De facto, parece natural que um livro saiba que palavras tem dentro de si e fique a saber as dos outros, quando os ouve a serem lidos em voz alta, como fazia frequentemente o professor Sousa. Mas aquele ia longe demais. Além de ser um livro refilão como vimos ao escutar os seus pensamentos, sonhava com coisas impossíveis. Toda a gente sabe que é impossível os livros falarem diretamente entre si. Só através dos leitores… Por isso, lá continuavam todos, capa com capa, ao lado uns dos outros, muito caladinhos, a não ser quando eram lidos. O João é que não podia sequer imaginar semelhante coisa, pois, por enquanto, nem sonhava que o professor Sousa, afinal, vivesse na companhia de tantos e tantos livros. Durante muito tempo, limitou-se a passar por ali, entretendo-se a olhar com curiosidade aquela casa que achava tão bonita. Mas, um dia em que a vida ia decorrendo como de costume, de repente, aconteceu uma coisa terrível. Houve um terramoto naquela cidade. Quase todos os edifícios da rua do João se mantiveram de pé com poucos ou nenhuns estragos. Tinham sido construídos para resistirem. Só a casa velha é que não. Ruiu. Desfez-se em caliça. Por sorte, no momento do terramoto, o professor Sousa tinha saído. Fora comprar o jornal. Mas os livros não vão comprar jornais e, por isso, ficaram esmagados. Eles, que tinham sido tão bonitos, agora destroçados, desfeitos, espreitavam por debaixo dos escombros. E foi desta maneira infeliz que o João ficou a saber que também eles tinham habitado aquela casa.

[...]

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por Maria Almira Soares às 17:40

Domingo, 16.03.14

A DEGRADAÇÃO DA MOBÍLIA

 

Na Escola, a degradação da mobília não é mera degradação da mobília: estou aqui sentada a uma mesa, pobre móvel, um tampo e quatro pernas, esquálido, sem qualquer personalidade, sem identidade, prestável para tudo, que em nada diferente seria, se fosse, por exemplo, uma vulgar mesa de comer. Estou aqui, na vossa frente, sentada a uma mesa esvaziada de qualquer alma docente. É verdade, meus alunos, que vos venho ensinando que os objetos têm alma e, no entanto, vedes que dificilmente podereis encontrar a alma dos objetos escolares que usais e de que estais rodeados. Por falta de tempo vivido, não podeis realmente saber de secretárias pesadas, belas à sua maneira, secretas como convém a secretárias, capazes de guardar segredos e surpresas, de cobiçar curiosidades, sem leveza nem vazio, sem brilhos sujos e frios, mas oferecendo a macieza da madeira polida, como um leito para a dolência do folhear de livros e cadernos, para o amparo dos gestos da escrita. Não podeis realmente saber de cadeiras com costas acolhedoras arredondando-se confortavelmente em torno do meu corpo, rodando à ordem da necessidade de direção do meu olhar que vos sobrevoava, que vos procurava, a vós quando éreis outros. Não sabeis que, na Escola, nem sempre todas as mesas e cadeiras foram iguais. Havia mesas que eram secretárias; havia cadeiras que tinham feitio de cadeira de secretária e que aqueles que não éreis vós, mas eram vós, arriscavam castigos para nelas se sentarem, nelas rodarem como num carrossel. Mas que interessa que vos fale disto que é coisa de museu, passada, enterrada, sem sentido, ultrapassada, errada neste vosso tempo? Porque vos falo eu disto? Apenas por uma razão, meus últimos alunos: porque se perdeu uma alma velha e não se encontrou uma alma nova e, neste desencontro de almas, se perdeu a alma da Escola, a alma que, na Escola, tudo haveria de habitar, mesmo pobres coisas como mesas e cadeiras.

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por Maria Almira Soares às 22:16

Domingo, 16.03.14

LEMBRANDO LEITURAS...

CONVERSA NA CATEDRAL

AMBROSIO e ZAVALITA! BIG BANG! Por um momento de quinhentas páginas, a partir deste encontro, tão denso e tão negro como o mais denso buraco negro,  expande-se o tempo em todas as direções. E, enquanto cresce, o tempo cria espaço, múltiplos espaços habitados. Assim se engana o efeito destruidor de Cronos, devorador de seus filhos, dando-lhe a comer a pedra amassada da ternura e da raiva, do amor e do medo, da violência e da tristeza, da mentira, da vergonha, da inocência e da maldade, da crueldade… enfim, o Homem. O Homem: luz, água, ave, árvore, pedra… Nascido água e andando até se adensar em pedra. Pedra que vamos lendo, enquanto se adensa e o tempo a não devora. Do encontro entre Ambrosio e Zavalita, expande-se a narrativa, explode a criação de um universo. Uma rede finíssima de pontos de vista, uma coreografia minimal e exata de vozes, lança sobre este universo uma gaze alucinante, pontilhada de omina, de sombras pairantes que encobre/descobre, elaborando com perícia a arte da surpresa, a arte clássica, grega, do reconhecimento: «O gorila é o guarda-costas dele. Chama-se Ambrosio.» O Humano esculpido nas palavras, nas pequenas falas como na larga maré dos pensamentos, golfadas, ondas, vómitos, jorros de luz, conversa. Puxa-se uma ponta e larga-se… e volta-se atrás a puxar outra ponta… um veio que ficou em espera, por explorar… Deixa-se de pousio uma cepa já bem pegada, a que mais adiante se há de regressar para puxar outro rebento… Sábias mudanças de tom, harmonias musicais. Este livro não descreve nem narra, faz música com a volubilidade dos tons certos para cada tema: o tema de Ambrosio, o tema de Amalia, o tema de D. Cayo, o tema de D. Fermin… Numa poética desmesurada, mas certa, certeira, cabe ainda a escala rítmica do thriller em busca da cara mais vil da política, em busca da exibição negra do poder, uma coisa escorregadia, movediça, vil, lacaiesca. Painel espectral, turvo — de figuras, de situações, disseminadas, cruzadas, sobrepostas  — que filtra, isola a luz sombria mas nítida da consciência de um homem: Santiago Zavala. Expiação e amor.

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por Maria Almira Soares às 21:10

Sábado, 15.03.14

MEU QUERIDO LIVRINHO!

 

 

[...]

O Luís, quando lê esta parte da história, sente-se a ir também naquele barco, a escorregar pela água macia pintada de azul e até imagina que vê a sua cara entre as dos meninos que estão debruçados do navio a dizer adeus. Às vezes, aponta para um menino do desenho que acha parecido consigo e diz:

— Este sou eu.

Ora acontece que, por gostar muito destas páginas, é nelas que o Luís deixa ficar o livro muito tempo aberto. Abre-o tantas vezes aqui que, agora, quando pega nele e se prepara para ler, mesmo antes de o começar a folhear, zás, é logo aí que ele se abre sozinho. Até parece que já percebeu que são estas as suas páginas preferidas. As páginas seis e sete é que já estão a ficar um bocadinho cansadas e com vontade de passar algum tempo sossegadas, quietinhas, recostadas sobre as outras a repousar. Mas que hão de fazer? O trabalho de um livro é este: deixar as mãos das pessoas passarem as suas folhas, enquanto os olhos vão demorando o tempo que lhes apetece em cada uma delas. Paciência! Parece que os livros têm mesmo de ser assim, muito pacientes, e deixarem-se levar pela vontade e pelo gosto dos seus leitores. Há casos, porém, em que a paciência tem limites, como costuma dizer a mãe do Luís, quando ele faz tropelias demais. É este o caso: o livro, coitado, está mesmo a chegar ao limite da sua paciência. O Luís não o larga. Anda sempre a abri-lo e a fechá-lo, a lê-lo e a relê-lo. Ufa! E um dia:

— Isto é demais! Já não aguento mais! — Desabafa o livro, que tem vontade de variar. Quer experimentar outros leitores que tenham olhos, mãos, pensamentos, diferentes. Que se ponham a olhar demoradamente para outras páginas que também são lindas. Que leiam mais depressa ou mais devagar. Enfim, sente-se condenado às mãozinhas papudas, aos olhos muito abertos, à curiosidade nunca satisfeita deste menino que não o larga. E sonha que, se conseguir esconder-se e fugir da vista do Luís, talvez alguém diferente o encontre, pegue nele e se ponha a lê-lo... Mas o seu sonho é logo interrompido. Lá vem outra vez o seu único leitor, prontíssimo para se pôr de novo a folheá-lo. Desta vez, porém, o livro não se contém e:

— Que chatice! Caramba, já me deves saber de cor e salteado. Vê lá se aprendes a ler outra coisa.

Só que o Luís já está tão entretido a olhar para o barquinho das páginas seis e sete que nem o ouve. Tudo continua na mesma. É o desespero. Farto de ter só um leitor, o livro vai passar à ação: resolve fugir. Então, começa a arranjar as mais variadas artimanhas para tentar esconder-se: mete-se na estante da sala, atrás dos outros; salta para a alta pilha de livros em cima da mesinha de cabeceira do pai do Luís; deixa-se cair para trás dos móveis... Mas nem assim consegue resolver o problema. Naquela casa, são todos muito arrumadinhos e alguém acaba sempre por o encontrar e vir com ele na mão e a resmungar:

— Ó Luís, vê lá se aprendes a tomar conta das tuas coisas e não as deixas assim por aí, em qualquer lado.

[...]

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por Maria Almira Soares às 20:24

Sexta-feira, 14.03.14

EM EDUCAÇÃO É PELO MÁXIMO QUE SE VAI AO MÍNIMO.

 

 

        Há coisas difíceis de avaliar no sentido mercantil da palavra: a leitura, por exemplo. O que vale ler? Muito. Ler os grandes autores de uma literatura? Muitíssimo. Fazer os nossos jovens lerem na escola os autores máximos da literatura portuguesa? Sem preço. Haverá, desta questão, outra consciência e razões para a razão dela.  Poderão, no entanto, consciência e razões serem inexatas e a inexatidão é uma coisa precária. Todos os que aduzem razões têm razões para isso. Mas ter a sua razão não é ainda ter razão. Melhor do que ter a sua razão é ter a verificação pela experiência de que o melhor lugar para conhecer a língua portuguesa são os grandes textos literários. Ter a longa experiência de que se ensina/aprende com grande clareza e eficácia a língua portuguesa lendo os grandes textos literários portugueses. O resto mora noutras moradas. Se não se ensina língua com os grandes textos literários, a causa não está nesses textos, mas alhures. Se não se sabe ensinar língua com os textos literários, deve aprender-se a fazê-lo. Saber-se-á fazê-lo com outros textos? Que uso da língua dar-se a saber? E que inibição no conhecimento da língua não plantar? Apenas procuram a segurança autoprotetora, a defesa contra o tormento da verdade: o olhar que desenraíza a língua das grandes realizações humanas que com ela se fazem; o olhar que só a vê formal e abstratamente, na pulsão de a explorar de modo entrópico; o olhar que a estuda na solidão da frase e da palavra, cortadas dos mundos que inevitavelmente elas constroem e do desdobramento de versões que de si mesmas fazem na comunicação literária. A clareza da gramática ou se entende na riqueza da língua ou torna-se uma técnica, uma linguagem no pior sentido. A incapacidade de integrar riqueza e clareza leva à escolha da facilidade. Leva ao destruir da casa para matar a pulga. E até pode ser que a pulga escape. Ficar-se-á, então, sem a casa, sem a casa do ser, enquanto se vai saltitando muito pelos variados discursos utilitários. A escola tem obrigação de ensinar a Língua Portuguesa no e com o que Gil Vicente, Camões, Vieira, Cesário, Pessoa... fizeram com ela. Orientar a leitura não é sinónimo de estreitar; é uma coisa laboriosa e difícil que se faz enquanto se lê. A escola deve alimentar, deve aumentar, deve engrandecer, e não fornecer doses de fast language. Não deve viver da repulsão da incerteza, mas para o maravilhamento com a polissemia, para o encanto de, lá no meio da mágica floresta verbal da literatura, habitar também a pedra dura da gramática bem explícita. Deve mostrar a diferença e a estranheza e não ficar-se pela massificação verbal, pela bata estilística do texto que serve para. Aos jovens na escola, não são devidas apenas meia dúzia de técnicas textuais ou discursivas em que a língua significa em fórmulas fechadas, prontas a funcionar. E este não é um debate ocioso sobre a presença ou ausência deste ou daquele autor ou ainda da sobra de um restinho daqueloutro; trata-se de modos de aprender. Aprender a fazer um relatório é só aprender a fazer um relatório e imitar uma notícia de jornal nem sequer ensina a ler a notícia do jornal, porque o jornal só é bom de ler quando se lê com os nossos olhos e, sobretudo, se os nossos olhos vierem cheios de Gil Vicente e Vieira e Camões... Em educação é pelo máximo que se vai ao mínimo. Quando só se dá o mínimo, apenas se suscita íntimo desprezo ou nula aceitação. Sem grandeza não há grande educação.

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por Maria Almira Soares às 14:09

Sexta-feira, 14.03.14

A MINHA ESCOLA

 

  

 

   «Um dia a escola acaba...» dizia eu aos meus alunos, maneira de lhes fazer ver que deviam aprender para a vida. E agora penso: para cada um que termina os seus estudos escolares, a escola não acaba... prolonga-se-lhe na memória; quando ele sai, a escola vai com ele.

     Todos os anos, alunos partem, deixando o seu lugar vago para os que entram de novo, mas, em verdade, nunca perdem esse lugar. Toda a vida hão de dizer: «A minha escola.» Se um dia foram da escola, sempre serão da escola. Partem, mas ficam. Ficam, também, na lembrança daqueles que os veem chegar e partir, que os ajudam a fazer da escola a sua escola. A idade de uma escola não é apenas a do calendário: é o tempo de todos os que a fizeram.

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por Maria Almira Soares às 13:23

Domingo, 09.03.14

QUE ME PERDOE O BOCAGE...

 

Já o livro não leio, adormecida,

No sono escuro, minha mente se dissolve.

Já nem a mão direita a folha volve,

Nem o olhar entende a frase lida.

 

Então, quando me rendo e adormeço

Vítima do cansaço, reconheço

Quão ousado e insano foi o intento

de ler, de sempre ler, p’la noite dentro.

 

Amanhã, ao raiar da luz do dia,

Quando for incapaz de me lembrar

Da passagem do livro, que então lia,

 

Na altura em que tinha adormecido,

Seja eu capaz, de a vir a retomar!

Saiba reler o que ficou mal lido!

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por Maria Almira Soares às 22:09



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