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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Terça-feira, 11.02.20

ALICE FAZ UM PAÍS

Alice Faz um País

         Maria Almira Soares  

       III

[Continuação.]

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   — Vou fazer um rio…

   Estão a ver? Eu bem vos avisei! A Alice, quando a enxotavam, ficava capaz de tudo, até de fazer um rio.

     — Um rio, não. Onde é que eu ia arranjar a água toda para fazer um rio? Só se a tirasse dos canos… E, depois, como é que eu tomava banho? E como é que a minha mãe fazia a sopa? E regava as petúnias?

     A sopa ainda era o menos, mas as petúnias… A Alice adorava as petúnias que já tinham florescido nos vasos da varanda. E também gostava muito de dizer: petúnias. Ficou um bocadinho a dizer: petúnias, petúnias, petúnias… E, depois…Desistiu do rio.

     — Vou mas é fazer um mar. Um mar?! Sou mesmo parva. Um mar ainda leva mais água. E o sal?! E tinha de estar sempre a soprar e a mexer e a remexer pra fazer as ondas! Ufa! Um mar, não.

   — Se calhar, o que eu vou fazer é, mas é, um vulcão. Era bem bonito, um vulcão! Mas… e se eu não consigo fugir a tempo, quando ele começar a expelir a lava? Ih! Que medo! O melhor, o melhor, é fazer um iceberg. Um iceberg? Só se fosse um pequenino, para caber no frigorífico. Senão derretia-se logo... Um campo verdinho, cheiinho de malmequeres amarelos é que era… Mas… Que trabalheira, espetar os malmequeres todos na terra! E, depois, até parece que já não tenho muito amarelo…

     Às vezes, a Alice, depois de as fazer, ou enquanto as fazia, desenhava e pintava as suas «coisas que».

 

   — Olha, boa, vou fazer um dia de chuva. Que estupidez! Um dia de chuva e, depois, nesse dia, não posso ir jogar à bola no parque. Só se fosse para a chuva cair de repente em cima da cabeça dos meus amigos, quando eles andassem às correrias no jardim. Pregar-lhes uma partida. Ficarem todos encharcados, a pingar. Ih! Ih! Ih! E eu, escondida atrás de uma árvore, a ver a minha chuva a cair-lhes em cima! Mas… ontem parti a régua… Como é que eu vou fazer os tracinhos direitinhos da chuva a cair?

     A Alice já estava a ficar muito mais feliz, depois de ver que podia fazer tantas coisas que, quando se lembrou de…

     — Vou, é, fazer um país!

[Continua.]

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por Maria Almira Soares às 17:52


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