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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Quarta-feira, 14.02.18

O AMOR

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 Sandro Botticelli, O Nascimento de Vénus  (pormenor)

 

Quando Amor nasceu,

Nasceu ao Mundo vida,

Claros raios ao Sol, luz às estrelas.

O Céu resplandeceu,

E de sua luz vencida

A escuridão mostrou as coisas belas.

Aquela, que subida

Está na terceira esfera,

Do bravo mar nascida,

Amor ao Mundo dá, doce amor gera.

Por amor se orna a terra

D’águas e de verdura,

Às árvores dá folhas, cor às flores.

Em doce paz a guerra,

A dureza em brandura,

E mil ódios converte em mil amores.

Quantas vidas a dura

Morte desfaz, renova:

A fermosa pintura

Do Mundo, Amor a tem inteira, e nova.     

 

 

Ninguém tema seus fogos,

E chamas furiosas.

Amor é tudo, amor suave, e brando,

Sujeito a brandos rogos,

As águas amorosas

Dos olhos com brandura está alimpando.

Douradas, e fermosas

Setas n’aljava soam

À vista perigosas;

Mas amor levam, dos amores voam.

Amor em doces cantos,

Em doces liras soe,

Torne seu brando nome este ar sereno.

Fujam mágoas, e prantos,

O ledo prazer voe,

E claro o rio faça, o vale ameno.

No terceiro Céu toe

D’amor a doce lira,

E de lá te coroe,

Castro, de ouro o grã Deus, que amor inspira.

 

António Ferreira, Castro

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por Maria Almira Soares às 13:03


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