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scriptorium

"Tal como surgiu diante dos meus olhos, a esta hora meridiana, fez-me a impressão de uma alegre oficina da sabedoria." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)



Quinta-feira, 19.07.18

«Pôs o livro no armário onde o encontrara e fechou-o, porque não queria que outro encontrasse e destruísse o seu tesouro.»

tarzanlivro.jpg

      «Inicialmente tentou tirar das páginas as pequenas figuras, mas logo compreendeu que não eram reais, embora não soubesse o que poderiam ser e não tivesse palavras para descrevê-las. Os barcos, comboios, vacas e cavalos, não tinham qualquer significado para ele, mas todavia não lhe pareceram tão intrigantes como as estranhas figurinhas que apareciam abaixo e entre os desenhos coloridos - deviam ser insetos, talvez, porque muitos tinham pernas, mas não encontrou um só que tivesse olhos e boca. Era o seu primeiro contacto com o alfabeto e tinha mais de dez anos. Evidentemente que nunca vira, antes, caracteres impressos, nem falara com qualquer criatura viva que tivesse a menor ideia sobre a existência de linguagem escrita. Não sabia que fosse possível ler. Por isso não admirava que não pudesse fazer qualquer ideia sobre o significado daquelas estranhas figuras. A cerca do meio do livro, descobriu a sua velha inimiga, Sabor, a leoa, e mais adiante viu Histah, a serpente. Aquilo era maravilhoso e absorvente! Nunca antes, nos seus dez anos de vida, encontrara uma coisa que lhe desse tanto prazer. E tão absorvido estava que não notou a aproximação da noite senão quando a escuridão já não lhe permitia ver. Pôs o livro no armário onde o encontrara e fechou-o, porque não queria que outro encontrasse e destruísse o seu tesouro.»

                                                    Edgar Rice Burroughs, Tarzan dos Macacos, vol. I

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por Maria Almira Soares às 10:30


1 comentário

De Anónimo a 19.07.2018 às 23:36

Depois do texto sobre os que não lêem os Maias passei a seguir o scriptorium. É que eu não li os Maias! Na altura queria era Álvaro de Campos e todos os outros. Felizmente não faziam parte do programa, mas a minha professora da altura que se chamava Elsa Rodrigues conseguiu falar do Pessoa e trouxe para falar dele o Jaime Salazar Sampaio e o Romeu Correia... alguns anos depois fez uma coisa imperdoável faleceu, e falece-me sempre que me lembro dela, como hoje.

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